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Diario DA Quarentena

A pandemia do coronavirus veio alterar a vida e a rotina de todos. Aqui registarei os meus pensamentos enquanto estou em isolamento.

Diario DA Quarentena

A pandemia do coronavirus veio alterar a vida e a rotina de todos. Aqui registarei os meus pensamentos enquanto estou em isolamento.

Dia 9

Atlas, 19.03.20

Espero que estejam todos bem e seguros. Hoje é o dia 9 do meu confinamento. O primeiro que passamos em estado de emergência oficial.

Amanhã faz 15 dias que voltei de Madrid. Continuo sem sintomas, o que é bom, mas o perigo ainda não passou. Além disso, o contágio pode ocorrer em qualquer altura. Seja como for, chegar ao dia 14 depois de voltar era um marco que atingirei amanhã.

Hoje já chorei. Por razões que não posso contar aqui, mas fiquem tranquilos que ninguém que eu conheça está doente. Simplesmente por constatar (uma vez mais) que este vírus, além das mortes que vai provocar, vai destruir muitas vidas, muitos países. A economia vai ficar de rastos. 

E é por isso que devemos levar a sério esta ameaça. Isto é sério. Mesmo quem não ficar doente, pode vir a sofrer muito com isto. Daí o meu apelo: se não tem que ir trabalhar - e eu sei que muita gente tem que ir trabalhar, para esses o meu obrigado e reconhecimento, fique em casa. Não ajude o vírus a transmitir-se fazendo vida social, desrespeitando as regras do afastamento. Nos supermercados e outros locais evite ficar perto de outras pessoas, respeite os espaços de 2 metros. Não demore mais do que o essencial. Quanto mais ignorarmos que isto é uma guerra, menos probabilidades temos de a vencer. Lembrem-se que o SNS não tem capacidade quase nenhuma. Dentro de pouco tempo não haverá espaço nos hospitais. As pessoas vão morrer por falta de cuidados porque não haverá capacidade para cuidar de todos. Levem a sério. Só assim podemos vencer. 

Sim, eu sei que é horrível estar em casa. Eu que o diga, que já vou no nono dia. Mas ficar doente é ainda mais horrível. 

O dia hoje não foi diferente do de ontem. No ar pairou uma ameaça de chuva que acho que se vai concretizar esta noite. Não saí de casa. 

Pela manhã, antes de "ir" trabalhar, fiz compras no supermercado online. Tenho falta de algumas coisas, que terei que ir buscar mais cedo ou mais tarde. Tentei primeiro o Intermarché, que está perto de mim. Não fazem entregas, mas têm a opção de encomendar e passar a recolher. Essa opção não funciona. Descobri isso depois de ter perdido tempo a preparar a lista de compras. 

Virei-me para o Continente. Consegui colocar a encomenda. Entrega? 16 de abril. Bem posso morrer à fome. 

Por isso amanhã (provavelmente) terei que sair de novo para ir às compras. Recebo uma encomenda do Continente, que fiz a semana passada, na próxima quarta-feira, mas preciso de coisas até lá. 

Tenho que fazer pão. Uma colega passou-me hoje a receita para fazer na Yammi. 😀👍

A estratégia, em relação às compras, a partir de agora, será colocar uma encomenda com menos espaços entre elas. 

Passei o dia a trabalhar, mal parei para comer. Reparei que o meu tomilho está em flor. Sim, no meu terraço tenho ervas aromáticas, tomilho, salsa, hortela-pimenta... Este fim de semana planeio semear alecrim. Também tenho Tulipas, que trouxe o ano passado da Holanda. Só passei lá em trânsito, vindo da Hungria. Este ano tinha pensado talvez em ir a Amsterdão. Provavelmente não vai acontecer. Também tenho um morangueiro, que no ano passado deu alguns morangos. 

Não é que tenha muito tempo para cuidar das plantas, mas cozinhar algo com o aroma do tomilho fresco vale a pena o esforço. Adoro torrar pão no forno com tomilho e depois colocar um fio de azeite. Comer pão com azeite é uma das coisas que aprendi a apreciar quando morei em Madrid. Só isso. O tomate esmagado que usam para espalhar no pão torrado não aprecio.

Ao final do dia falei com duas pessoas de família por telefone. Uma delas já com alguma idade. Disse-lhe para se resguardar, para não arriscar. 

Jantei, arrumei e limpei a cozinha e pus-me a escrever esta crônica. A verdade é que já me habituei e ajuda-me a descontrair um pouco durante cerca de uma hora. 

Não tenho tido vontade para ler ou ver séries. Tenho imensas séries para ver, podia aproveitar, mas não tenho qualquer vontade. A noite vejo os canais de notícias. 

O que mais desejo é poder sair de casa em segurança o mais rápido possível. Abraçar alguém. Encontrar os meus familiares ou amigos. 

Hoje foi o dia do pai. O meu já faleceu há muitos anos. Senti-lhe muito a falta hoje. E todos os que ainda têm o pai vivo não puderam estar com ele hoje para evitar pô-lo em perigo. Teremos que celebrar outro dia do pai assim que a crise passar. Os pais e as mães são a melhor coisa que existe. 

As coisas ainda vão piorar antes de melhorar. Teremos que ter pensamento positivo, ter esperança que no fim desta crise estará o arco-íris do pasteleiro italiano que toda a gente copiou e parece estar a tornar-se o símbolo desta resistência.

Ânimo para todos. Fiquem bem e fiquem seguros 

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